O Natal de Fernando
*Isso é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais, terá sido mera coincidência.* Ritmo: drum n bass
Reconheceu então tratar-se da voz de Olga. Ela de novo. Olga. De novo atrás dele.
*Isso é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais, terá sido mera coincidência.* Ritmo: drum n bass
Reconheceu então tratar-se da voz de Olga. Ela de novo. Olga. De novo atrás dele.
Zé Luiz era o tipo de cara pacato e sacana. Sempre sorrindo, simpático, do porteiro à secretária da repartição, a quem aliás chamava mentalmente de putinha feia, logo após seu sorridente cumprimento. - Bom Dia, Dona Quitéria... e lhe vinha o pensamento imediato: “Quitéria, a putinha feia”. Zé não tinha certeza se produzia tais pensamentos ou se eles simplesmente apareciam e não era possível controlá-los. Fato é que não se importava com isso e até se divertia.
-Fala, Moreira... “como é ter essa sua cara de corno?”, -Bom Dia, Genival... “Genival e a cabeça do meu pau!” E ele ria e ria e se divertia com essas bobagens, fazendo com que todos pensassem que se tratava apenas de simpatia, o que aliás combinava com seu aspecto bonachão.
Gordo, gordo, tinha cabelos nas costas até a nuca, bochechas rosadas e estava quase sempre suado, mesmo no inverno. Era dessas pessoas que conseguem suar e rir ao mesmo tempo.
E Zé tinha um cargozinho bobo como ele. Filho de militar e de família tijucana, fez concurso assim que terminou o colégio e foi comemorar todo animado a aprovação na Confeitaria Colombo do centro, como havia lhe prometido sua tia Guida, irmã mais velha de sua mãe. Seu trabalho consistia basicamente em receber processos e encaminhá-los ao setor responsável. Também fazia atendimento ao público, numa média de cinco ou seis por dia, momentos que considerava como aqueles “que fazem uma vida valer a pena”. Eventualmente, ou a cada seis meses, fazia um relatório geral.
Nessa quinta-feira, dia em que Zé Luiz gostava de se masturbar antes do trabalho, estranhou seu quarto ao abrir os olhos. Não reconhecia como seu. Não reconhecia como um quarto. Não se reconhecia.
Nessa quinta-feira, dia em que Zé Luiz, costumava passar pela Igreja da Nossa Senhora da Aquerupita antes do trabalho, acordou zonzo, vestiu-se com a fantasia de Zorro que ganhara há dois meses como pagamento de uma aposta, errou o caminho e foi parar no mercado de peixes. Tinha o olhar vago e parecia não se reconhecer no mundo. A máscara que usava estava um tanto quanto torta e obstruía parte de seu olho esquerdo. Não sorria, não falava, limitava-se a respirar ruidosamente, como faz um porco espinho no calor. Mesmo assim foi possível saltar sobre o balcão, apanhar um facão de peixe e passar a cortar um por um, dos pequenos aos enormes, dos crustáceos aos moluscos.
Tentaram contê-lo mas foi impossível e Zé Luiz saiu correndo rápido, como da última vez, na aula de educação física no colégio militar. Estava todo babado de baba de peixe, fedendo e escorregando em suas havaianas velhas de palmilha branca amarelada e tiras azuis. Na esquina com a Rua da Reforma, ouviu um sino agudo e isso pareceu despertá-lo. Era o bonde das dez, avisando a curva, mas já era tarde.
Zé Luiz escorregou e deslizou no paralelepípedo morno da manhã. O bonde dividiu e esmagou seu corpo em dois e duas bolas de carne foram formadas, como dois pontos, uma junto da outra, logo acima do bonde tombado.
Na manhã seguinte, na primeira capa do Correio Carioca, uma foto e a manchete: Trema e tragédia: Bonde parte ao meio funcionário ensandecido.
Alguma coisa o incomodava precisamente na região lateral do nariz, um pouco abaixo do olho esquerdo. Alguma coisa entre uma pressão e uma coceira, com um pouco de emoção também. Era como se só uma, essa parte do seu corpo, estivesse chorando de emoção enquanto assistia a uma ópera. Pensou se deveria parar para pensar naquilo tudo, e no seu significado, sua origem, mas concluiu que daria muito trabalho e preferiu caminhar tranquilamente sobre botas e entre calças jeans, até a cocheira de sua casa. O ploc ploc ploc das botas na madeira encerravam o almoço que quase sempre consistia de costelas de boi assadas.
Bob Blue estava de quatro, como sempre e bebia água. Ao avistar Johnny The Joe, relinchou e deu uma mijadinha.
Conheceram-se havia sete ou oito anos quando Johnny The Joe ajudou Mirta James, mãe de Bob Blue num dia em que ela havia acabado de se perder do marido durante uma tempestade e passava fome sob uma árvore com seus três pequeninos. Deu-lhes água e um pouco de capim que carregava sempre com ele. Johnny The Joe tinha então 21 anos e morava com seu avô Billy. Bob Blue tinha apenas ano e meio de vida.
Nunca mais se desgrudaram e até hoje são muito amigos. Bob se casou e teve 4 filhos, que ainda moram com ele.
Nesta tarde de domingo, Johnny precisava resolver uma questão antiga com os Mahoney, clã do sul que não se dava com a família de Johnny e discordava dela no que se referia ao destino de duas afluentes do Rio Moon.
E discordar quanto ao Moon, meu caro, ah... era coisa pra muito chumbo queimado.
Parceiros, seguiram Johnny The Joe e Bob Blue em direção ao sul, pela Golden Road. Passaram por Cancro Duro, índio amigo, filho de mulher branca, que tinha uma barraquinha de cds piratas, logo ao lado do Matadouro do Moe. Seus filhos Giuseppe, Ricardo e Jean Claude, aproveitaram a descendencia e formaram um grupo de música peruana, com aquelas flautinhas de bambu, o que lhes garantia alguns bons trocados.
Depois, veio a estrada. Ela mesma, grande e imponente. The Golden Road, que alguns bairristas cismavam em chamar The Golder.
Em alta velocidade, logo após a curva dos Mackenzie, que tem esse nome porque foi la que morreram todos os 7 integrantes dessa infeliz família em acidente de carroça, Johhny The Joe deixou cair uma lágrima. Não pelos Mackenzie, mas não sabia porque, lembrou-se dos bolinhos de sua avó.
A pastelaria dos Fung Huang, cowboys chineses da tribo dos Hinhauwn, indicava a proximidade da fazenda dos Mahoney. Johnny fez o mesmo sinal de sempre, que mostrava a Bob Blue a passagem de comando. Queria estar com ambas as mãos livres para empunhar Mariana, sua espingarda do peito.
Em prata de lei, com detalhes em marfim e diamantes, Mariana ja havia cuspido muito fogo. Johnny, homem rude porém carinhoso, era apaixonado por Mariana. Tinham horas de conversas em frente ao fogo, antes de dormir e sempre, eu disse sempre antes de sentar o dedo em Mariana, Johnny soltava seu grito de guerra, ainda em trote: -Mariana, tire os cavalos da chuva!
Há anos era assim. Fosse por questão de honra, fosse para caçar ou pra assustar passarinhos. Johnny The Joe pegava Mariana com uma mistura de força e delicadeza, acelerava em cima de Bob Blue e gritava: -Mariana! Tire os cavalos da chuva! E sentava chumbo grosso.
Foi o que fez: lançou um olhar de cumplicidade para Bob Blue, acariciou seu lombo, depois voltou-se com tranquilidade e determinação para Mariana, alisou seu corpo, parou o olhar no rubi em forma de gota encravado em seu dorso, teve cheios os olhos de lárgimas, posicionou-lhe o dedo no gatilho e gritou: -Mariana, tire os cavalos da chuva!
Acertou em um, dois, três, quatro, cinco porcos de raça que os Mahoney criavam.
Puxou forte a rédea e fez a curva quase derrapando.
Saiu às gargalhadas.
Considerou-se vingado.
Mail enviado para a Br-raves, lista de discussão pra quem gosta e entende de música eletrônica, em 98 ou 99:
*Da série br-barulhinhos parte I: O som esta em qualquer lugar... Enjoy:
1)Ao acordar: Antes de
se levantar, dobre seu travesseiro sem desencostar a cabeça.Na parte dobrada,
percussione com os dedos e escorregue suas unhas alternadamente. Serve também para a
torre do computador, enquanto você espera que todos os mails desçam. Ouça e curta
o som Tum tcha Tum tcha Tum tchara tara Tum...Comece bem o seu dia...
2) No banho: Esse é o melhor. Banheiro é muito acústico. Bata com forca na parede
para fazer o TUM. Com um ou dois pés, bata na água do chão para fazer o Tchep.
De fundo, mire o chuveiro nas suas orelhas, balançando a cabeça, com o som:
inheh inheh inheh... O som deve ser TUM Tchep inheh TUM Tchep inheh TUM TUM
tchep nhehinhehinheh... TUM tchep.Do nada, pare tudo e desligue o chuveiro: É a
sua paradinha, DJ! Comece então a gritar uuuuuuuu, uhuuuuuu, yeah, e a bater
palmas.Ligue o chuveiro e comece de novo. Muito bom.
3) Tomando café: Sucrilhos
serve, mas Froot Loops tem a vantagem de ser psicodélico. Mastigue fazendo crash
e use a caixa para o Tum. Sai um techno meio Detroit. Estudos mostram que se você
colocar sal no leite o som melhora, mas nunca tentei.
4) Escovando os dentes:
Peca para sua mãe, avó, ou irmão bater ritmadamente a tampa da privada. Se você
mora sozinho use os pés. Escove seus dentes então, abrindo e fechando a boca para
mudar o som. Tum tchatchatcharatcha Tum Tum tchatchatchara Tum Tum. Se você não
percebeu isso é drum n´ bass puro!
5) Ao sair: Pare na porta de saída e cole seu
ouvido nela. Tranque e destranque enquanto a percussiona com os dedos e unhas. O
som é bem alto, cuidado. Recomenda-se fazer do lado de dentro da casa para não
queimar seu filme com a vizinhança.
6) No elevador: Não serve se você mora em casa.
A parede posterior do elevador faz um Tumf maravilhoso. Se você alcançar o botão
do alarme, isso é electro! Tumf peee Tumf Tum peee Tum Tumf peee Tumf Tum
peee..Recomenda-se apagar a luz.
7) Transporte: Se você tem carro é melhor ligar o toca fitas. Se você vai de ônibus, nada mais techno. Um lugar onde Motorista é DJ
e cobrador é hostess. Cheio de gente suada, e sem seguranças! Feche os olhos e
concentre-se. É fácil.*
Era isso.[]´s Haldol and funky little drunk
... e começar, começar mesmo, esse blog nao começa
Haldol diz:
um dia eu ia encontrar uma namorada e estava meio nervoso, Pensei que ficar bêbado ajudaria e estava hospedado num hotel de copacabana com meus pais, era menor e não quis roubar as mini-garrafas do frigobar. Peguei um frasco de eau savage e dei duas borrifadas pra dentro da garganta.
Haldol diz:
foi realmente muito ruim.