Segunda-feira, Outubro 19, 2009

O Natal de Fernando

*Isso é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais, terá sido mera coincidência.* Ritmo: drum n bass


- Filho da puta!
Acordou sobressaltado e confuso tentava explicar-se de onde viera aquele grito, já que sonhava estar sendo suspenso por lava quente que brotava bem do meio do seu cu.
Pesaram-lhe as pálpebras e retomar o sono lhe foi irresistível. Agora sonhava poder aspirar, engolir e cuspir gente por quem passasse na rua.

- Há há hááááá hahahahaha Filho da puuuuuuuuuutaaaaaaaaa!
Sentou-se na cama tão imediatamente que ainda mantinha os olhos fechados. Engasgou e perdeu o ar. Sentia o coração quase sair pela boca, depois pelas têmporas. Ficou muito tonto.
- Huá! Ta com medinho! É viadinho!
- É viado, todo mundo aqui já sabe disso.
- Olha lá... Cagão. Viado tem que morrer!
Blharg, tinha a boca muito seca. Levantou-se e pôs-se a correr para qualquer lugar onde não fosse possível ser visto. Como lhe haviam descoberto? E onde estavam naquele momento? Entrou no banheiro.


- Viu? Se escondendo...
- Se mijou! Se mijou todo! Huahahahahaha
- Hahahahahahaha

Sentiu suas calças molharem e o incômodo que isso trazia. Saiu correndo de novo.
- Socorro! - disse com a voz fraca do sono e do medo.
- Socoooorro! Gritou, entre dentes cerrados.

- Não é o filho da Marilene?
- Aquela que fazia programa?
- Marilene fazia programa. Marilene fazia programa. Marilene fazia programa.
Todos gritaram: – Marilene fazia programa! Marilene fazia programa!

Tremia dos pés à cabeça. Pareciam-lhe serem dois ou três. Talvez cinco. E como eram capazes de lhe dizerem coisas tão perversas? - Marilene não fazia programa. -Mamãe não fazia programa! -Não fazia programa!

- Mas que diabos ele tá fazendo com esse chinelo na mão?
- Vai ver vai se bater. Deve estar arrependido de ter comido a própria mãe.

Reconheceu então tratar-se da voz de Olga. Ela de novo. Olga. De novo atrás dele.

- Comeu a própria mãe! -disse um deles.
- Comeu e gostou. - arrematou um segundo.
- Fernando da Costa Gonçalves: Pederasta e incestuoso.

A janela. A janela. A janela.
Correu e guiou-se pela luz do lado de fora.

- Fernando da Costa Gonçalves: Pederasta e incestuoso!
- Filho da puuuuuuuta!
- Incestuoso.
- ...da puuuuuta!
- Marileeeeneeee?
- Incestuoso!
- Pederasta e filho da puta!

Arrebentou a porra do vidro da janela com uma e depois com a outra mão.
Sujou a testa com sangue, tentando secar-lhe o suor.

- Corre não, filho da puta, corre não!

Agarraram-lhe: dois pelos braços, um pelas pernas. Debateu-se o quanto pôde. Aliviou a secura da boca com um pouco do sangue das mãos.
Debateu-se o quanto pôde.

Sentiu que lhe injetavam veneno no braço direito. Um chip de controle no braço esquerdo. Sentiu dor.

Pesaram-lhe as pálpebras e retomar o sono lhe foi irresistível. Teve braços e pernas contidos por faixas de pano.

- Porra Fernando, vê se dorme agora, caralho.

Ainda pôde ouvir a TV da enfermaria: “Já é Natal na Lider Magazine...”

Pensou no Natal.
Depois em Dona Marilene.

Dormiu.

Um trema numa qüinta-feira

Zé Luiz era o tipo de cara pacato e sacana. Sempre sorrindo, simpático, do porteiro à secretária da repartição, a quem aliás chamava mentalmente de putinha feia, logo após seu sorridente cumprimento. - Bom Dia, Dona Quitéria... e lhe vinha o pensamento imediato: “Quitéria, a putinha feia”. Zé não tinha certeza se produzia tais pensamentos ou se eles simplesmente apareciam e não era possível controlá-los. Fato é que não se importava com isso e até se divertia.

-Fala, Moreira... “como é ter essa sua cara de corno?”, -Bom Dia, Genival... “Genival e a cabeça do meu pau!” E ele ria e ria e se divertia com essas bobagens, fazendo com que todos pensassem que se tratava apenas de simpatia, o que aliás combinava com seu aspecto bonachão.

Gordo, gordo, tinha cabelos nas costas até a nuca, bochechas rosadas e estava quase sempre suado, mesmo no inverno. Era dessas pessoas que conseguem suar e rir ao mesmo tempo.

E Zé tinha um cargozinho bobo como ele. Filho de militar e de família tijucana, fez concurso assim que terminou o colégio e foi comemorar todo animado a aprovação na Confeitaria Colombo do centro, como havia lhe prometido sua tia Guida, irmã mais velha de sua mãe. Seu trabalho consistia basicamente em receber processos e encaminhá-los ao setor responsável. Também fazia atendimento ao público, numa média de cinco ou seis por dia, momentos que considerava como aqueles “que fazem uma vida valer a pena”. Eventualmente, ou a cada seis meses, fazia um relatório geral.

Nessa quinta-feira, dia em que Zé Luiz gostava de se masturbar antes do trabalho, estranhou seu quarto ao abrir os olhos. Não reconhecia como seu. Não reconhecia como um quarto. Não se reconhecia.

Nessa quinta-feira, dia em que Zé Luiz, costumava passar pela Igreja da Nossa Senhora da Aquerupita antes do trabalho, acordou zonzo, vestiu-se com a fantasia de Zorro que ganhara há dois meses como pagamento de uma aposta, errou o caminho e foi parar no mercado de peixes. Tinha o olhar vago e parecia não se reconhecer no mundo. A máscara que usava estava um tanto quanto torta e obstruía parte de seu olho esquerdo. Não sorria, não falava, limitava-se a respirar ruidosamente, como faz um porco espinho no calor. Mesmo assim foi possível saltar sobre o balcão, apanhar um facão de peixe e passar a cortar um por um, dos pequenos aos enormes, dos crustáceos aos moluscos.

Tentaram contê-lo mas foi impossível e Zé Luiz saiu correndo rápido, como da última vez, na aula de educação física no colégio militar. Estava todo babado de baba de peixe, fedendo e escorregando em suas havaianas velhas de palmilha branca amarelada e tiras azuis. Na esquina com a Rua da Reforma, ouviu um sino agudo e isso pareceu despertá-lo. Era o bonde das dez, avisando a curva, mas já era tarde.

Zé Luiz escorregou e deslizou no paralelepípedo morno da manhã. O bonde dividiu e esmagou seu corpo em dois e duas bolas de carne foram formadas, como dois pontos, uma junto da outra, logo acima do bonde tombado.

Na manhã seguinte, na primeira capa do Correio Carioca, uma foto e a manchete: Trema e tragédia: Bonde parte ao meio funcionário ensandecido.

Mariana, tire os cavalos da chuva

Alguma coisa o incomodava precisamente na região lateral do nariz, um pouco abaixo do olho esquerdo. Alguma coisa entre uma pressão e uma coceira, com um pouco de emoção também. Era como se só uma, essa parte do seu corpo, estivesse chorando de emoção enquanto assistia a uma ópera. Pensou se deveria parar para pensar naquilo tudo, e no seu significado, sua origem, mas concluiu que daria muito trabalho e preferiu caminhar tranquilamente sobre botas e entre calças jeans, até a cocheira de sua casa. O ploc ploc ploc das botas na madeira encerravam o almoço que quase sempre consistia de costelas de boi assadas.

Bob Blue estava de quatro, como sempre e bebia água. Ao avistar Johnny The Joe, relinchou e deu uma mijadinha.

Conheceram-se havia sete ou oito anos quando Johnny The Joe ajudou Mirta James, mãe de Bob Blue num dia em que ela havia acabado de se perder do marido durante uma tempestade e passava fome sob uma árvore com seus três pequeninos. Deu-lhes água e um pouco de capim que carregava sempre com ele. Johnny The Joe tinha então 21 anos e morava com seu avô Billy. Bob Blue tinha apenas ano e meio de vida.

Nunca mais se desgrudaram e até hoje são muito amigos. Bob se casou e teve 4 filhos, que ainda moram com ele.

Nesta tarde de domingo, Johnny precisava resolver uma questão antiga com os Mahoney, clã do sul que não se dava com a família de Johnny e discordava dela no que se referia ao destino de duas afluentes do Rio Moon.

E discordar quanto ao Moon, meu caro, ah... era coisa pra muito chumbo queimado.

Parceiros, seguiram Johnny The Joe e Bob Blue em direção ao sul, pela Golden Road. Passaram por Cancro Duro, índio amigo, filho de mulher branca, que tinha uma barraquinha de cds piratas, logo ao lado do Matadouro do Moe. Seus filhos Giuseppe, Ricardo e Jean Claude, aproveitaram a descendencia e formaram um grupo de música peruana, com aquelas flautinhas de bambu, o que lhes garantia alguns bons trocados.

Depois, veio a estrada. Ela mesma, grande e imponente. The Golden Road, que alguns bairristas cismavam em chamar The Golder.

Em alta velocidade, logo após a curva dos Mackenzie, que tem esse nome porque foi la que morreram todos os 7 integrantes dessa infeliz família em acidente de carroça, Johhny The Joe deixou cair uma lágrima. Não pelos Mackenzie, mas não sabia porque, lembrou-se dos bolinhos de sua avó.

A pastelaria dos Fung Huang, cowboys chineses da tribo dos Hinhauwn, indicava a proximidade da fazenda dos Mahoney. Johnny fez o mesmo sinal de sempre, que mostrava a Bob Blue a passagem de comando. Queria estar com ambas as mãos livres para empunhar Mariana, sua espingarda do peito.

Em prata de lei, com detalhes em marfim e diamantes, Mariana ja havia cuspido muito fogo. Johnny, homem rude porém carinhoso, era apaixonado por Mariana. Tinham horas de conversas em frente ao fogo, antes de dormir e sempre, eu disse sempre antes de sentar o dedo em Mariana, Johnny soltava seu grito de guerra, ainda em trote: -Mariana, tire os cavalos da chuva!

Há anos era assim. Fosse por questão de honra, fosse para caçar ou pra assustar passarinhos. Johnny The Joe pegava Mariana com uma mistura de força e delicadeza, acelerava em cima de Bob Blue e gritava: -Mariana! Tire os cavalos da chuva! E sentava chumbo grosso.

Foi o que fez: lançou um olhar de cumplicidade para Bob Blue, acariciou seu lombo, depois voltou-se com tranquilidade e determinação para Mariana, alisou seu corpo, parou o olhar no rubi em forma de gota encravado em seu dorso, teve cheios os olhos de lárgimas, posicionou-lhe o dedo no gatilho e gritou: -Mariana, tire os cavalos da chuva!

Acertou em um, dois, três, quatro, cinco porcos de raça que os Mahoney criavam.

Puxou forte a rédea e fez a curva quase derrapando.

Saiu às gargalhadas.

Considerou-se vingado.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Vontade de voltar a escrever

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

A1xA2

A1:
-Divagações:
O neurotico recalca o nome do pai.
O que o pai recalcado lhe representa, esta na esfera do supereu (formacao do complexo de edipo), atuando no simbolico, como a lei, a reprovacao, a culpa e aa inibicao, ao sintoma, aa angustia. ao imperativo do goze.
O psicotico forclui o nome do pai.
O que o pai foracluido do psicotico lhe representa, esta na esfera do real, posto que fora foracluido, atuando como a alucinacao, que culpa, que reprova e que acusa, desorganizando tambem o pensamento, cujo funcionamento, depende do supereu, este, que por estar o nome do pai foracluido, nao funciona na esfera simbolica. seu imperativo se da nos impulsos e passagens ao ato.


A2:
-Gostei das divagações. Mas eu falei na quinta que é bom lembrarmos que
até onde sabemos Joyce não alucinava ou delirava. Isso é construção.
Há sua escrita, que talvez possa ser chamada de neológica, mas nem sei
bem. Ouvi esse ano que Guimarães Rosa também fazia uma invenções com o
português. Neologismo. Também era (pré)psicótico?

Tem me incomodado falar em aluconação em Joyce. I. falou isso na
Jornada e na hora não questionei, só na quinta no Núcleo.


A1:
-Acho que ele escrevia suas alucinacoes, que por serem escritas, e nao ouvidas, nao eram alucinacoes.
e ele "alucinava" com a intencao de fazer laço social e sempre pelo laço social, o que me faz pensar se o que amarrava sua estrutura nao era mais o laço social que o proprio sintoma, esse, sem laco social manteria sua estrutura frouxa, como acontecia para schreber.
neologismo nao eh necessariamente psicopatologico, antes, eh linguistico.
e joyce nao era considerado pré-psicotico soh pelo neologismo.
ainda nao decidi se vou ao nucleo.
nao desistamos do nosso projeto.
sempre tem algum ator famoso que, contando a historia de sua carreira, fala de um primeiro teste no qual teria sido reprovado.
vive la psichanalyse

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

Achar nao prova nada
Boris era russo e palmeirense
Claudio indica sol na pica
Dênis tem três cáries
Élcio sabe o que lhe cabe
Fausto vai, fausto vem
Georgia: Aqui jaz.
Hector nem sempre toma banho.
Iracema solta a franga e paga caro por isso
Marcianos mordem muito mais.
Mariana, tire os cavalos da chuva!
Noivas novas e boas bóias
Ou sim, ou não
Quem planta, planta. Quem não planta, lava a louça
Riu da vida.
Sempre que dá, fica sem.
Tatu não era não
Ulyssex e dupla-face
Vendia maconha para pagar a faculdade do seu poodle
Wingstonnianos, uni-vos!
Xerém chorou a morte da xereca
Yes or not to be
Zico não morreu

Sábado, Maio 12, 2007

Iap

Perguntava pelo meu ponto fraco. Tinha o desejo de me matar de cócegas. Ria muito, gargalhava. Falava sem parar e pulava. Passou a gritar e gritava a cada pouco, mais alto. Pedi para que parasse, era hora de dormir, saí do quarto

-To com muito soluço.
-Ja tomou agua?
-Ja tomei essa agua toda e nao adiantou nada.
-Ahm... Tem uma tecnica que o Eric, um amigão meu, me ensinou que funcionava SEMPRE comigo. Depois parou de funcionar, lá pelos 20 e poucos anos, e tal... Mas ateh lá, funcionou em todas as vezes. Quer tentar?
-Como é essa tecnica?
-É assim: Toma três goles de água de olho fechado. Devagar.
-Dá aqui.

Deitou de olhos fechados e ficou assim por uns quarenta segundos.

-Até agora acho que passou.

Fingi que nao achei assim tão fofo o que disse e fiz cara de quem sabia muito bem o que estava acontecendo.
Virou-se de lado novamente, pegou meu braço e o colocou sobre seu peito. Fechou os olhos, mexeu duas ou três vezes no pinto, e dormiu.

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Mail enviado para a Br-raves, lista de discussão pra quem gosta e entende de música eletrônica, em 98 ou 99:

*Da série br-barulhinhos parte I: O som esta em qualquer lugar... Enjoy:

1)Ao acordar: Antes de
se levantar, dobre seu travesseiro sem desencostar a cabeça.Na parte dobrada,
percussione com os dedos e escorregue suas unhas alternadamente. Serve também para a
torre do computador, enquanto você espera que todos os mails desçam. Ouça e curta
o som Tum tcha Tum tcha Tum tchara tara Tum...Comece bem o seu dia...

2) No banho: Esse é o melhor. Banheiro é muito acústico. Bata com forca na parede
para fazer o TUM. Com um ou dois pés, bata na água do chão para fazer o Tchep.
De fundo, mire o chuveiro nas suas orelhas, balançando a cabeça, com o som:
inheh inheh inheh... O som deve ser TUM Tchep inheh TUM Tchep inheh TUM TUM
tchep nhehinhehinheh... TUM tchep.Do nada, pare tudo e desligue o chuveiro: É a
sua paradinha, DJ! Comece então a gritar uuuuuuuu, uhuuuuuu, yeah, e a bater
palmas.Ligue o chuveiro e comece de novo. Muito bom.

3) Tomando café: Sucrilhos
serve, mas Froot Loops tem a vantagem de ser psicodélico. Mastigue fazendo crash
e use a caixa para o Tum. Sai um techno meio Detroit. Estudos mostram que se você
colocar sal no leite o som melhora, mas nunca tentei.

4) Escovando os dentes:
Peca para sua mãe, avó, ou irmão bater ritmadamente a tampa da privada. Se você
mora sozinho use os pés. Escove seus dentes então, abrindo e fechando a boca para
mudar o som. Tum tchatchatcharatcha Tum Tum tchatchatchara Tum Tum. Se você não
percebeu isso é drum n´ bass puro!

5) Ao sair: Pare na porta de saída e cole seu
ouvido nela. Tranque e destranque enquanto a percussiona com os dedos e unhas. O
som é bem alto, cuidado. Recomenda-se fazer do lado de dentro da casa para não
queimar seu filme com a vizinhança.

6) No elevador: Não serve se você mora em casa.
A parede posterior do elevador faz um Tumf maravilhoso. Se você alcançar o botão
do alarme, isso é electro! Tumf peee Tumf Tum peee Tum Tumf peee Tumf Tum
peee..Recomenda-se apagar a luz.

7) Transporte: Se você tem carro é melhor ligar o toca fitas. Se você vai de ônibus, nada mais techno. Um lugar onde Motorista é DJ
e cobrador é hostess. Cheio de gente suada, e sem seguranças! Feche os olhos e
concentre-se. É fácil.*
Era isso.[]´s Haldol and funky little drunk





... e começar, começar mesmo, esse blog nao começa

Sábado, Outubro 14, 2006

Haldol diz:

um dia eu ia encontrar uma namorada e estava meio nervoso, Pensei que ficar bêbado ajudaria e estava hospedado num hotel de copacabana com meus pais, era menor e não quis roubar as mini-garrafas do frigobar. Peguei um frasco de eau savage e dei duas borrifadas pra dentro da garganta.

Haldol diz:

foi realmente muito ruim.

Segunda-feira, Março 27, 2006

Total falta de inspiração.
Tentei comprar uns 150 gramas que fossem mas não vendem mais no supermercado. Também, da última vez que comprei inspiração no supermercado, joguei no leite condensado e fiz brigadeiro. Tudo bem que eu tava com fome mas aquilo não ia dar pra outra coisa mesmo. Sabe como é... inspiração de supermercado não é a mesma coisa. Bons tempos os das vendas.
Lembra das vendas? Bom, eu lembro e minha avó, minha mãe iam sempre à venda do Seu Mário. Nos recebiam Mário e seu irmão cujo nome não me lembro. Só sei que era mais sorridente do que o Mário. Não que Mário não fosse simpático, português de venda é sempre simpático, mais sisudo que seja. E la ia minha mãe comprar salsinha, cebolinha, caldo de galinha ou qualquer coisa que eu chamasse de inspiração. Pra mim, ela sempre ia atrás de inspiração naquela venda. Pelo menos eu ia.
Dois portugueses de sotaque engraçado, avental branco sujo mal cobrindo o peito cabeludo, caneta na orelha direita. Cheiro de tudo: bacalhau com goiabada, cebola com hortelã.
-Que mais?
-Nada não, Seu Mário... tá ótimo. Obrigado.
:)